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Cesar Veneziani em Poesia


Beco

Conto, num beco, num canto,
a um gato atento e tácito,
com um cinismo insensato e ácido,
o fracasso de um desencanto.

E o gato, fingindo atenção,
me ouve em silêncio, calado.
Não fala sequer um miado,
Não quer me passar um sermão!

E eu, todo fraco, falido,
não ligo: um desabafo desato.
Me xingo, eu me desacato,
num discurso sem sentido.

E o dia, indiferente,
pare a luz e a noite mata.
E a solidão, insensata,
é um gato à minha frente.

(17/10/2009)



Escrito por Cesar Veneziani às 15h35
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em branco e em preto
se esconde essa solidão
no fundo de um beco

(17/10/2009)



Escrito por Cesar Veneziani às 15h34
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Missão

Qual heróico mensageiro,
ligeiro cumpro a missão.
Nas mãos trago a encomenda.
Entenda, toda missão é sagrada,
palavra de honra empenhada,
e nada me faz não cumpri-la.
Pego fila, ando ao relento,
lento ou com bastante empenho,
tenho um dever a cumprir.
Sorrir sempre, mesmo sozinho,
levando ouro ou garrafas de vinho!

(17/10/2009)



Escrito por Cesar Veneziani às 15h34
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Curvas

Lá nas curvas do esquecimento,
onde longe deixei quem fui,
o sonho tornou-se lamento,
castelo de cartas que rui.

E hoje vem o pesadelo
que mostra o fantasma que sou
por ter renegado o modelo
que a essência em criança mostrou.

Então vou ao meu labirinto
buscar minha essência perdida.
Fazer do que quero o que sinto,
tornar verdadeira esta vida!

(17/10/2009)



Escrito por Cesar Veneziani às 15h33
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